Estados Unidos: Colírios contaminados causam 4 mortes

Estados Unidos: Colírios contaminados causam 4 mortes
Crédito: Community Eye Health - Imagem meramente ilustrativa

Pardal

20 de maio de 2023

Um surto alarmante de bactérias altamente resistentes a medicamentos, vinculadas a colírios contaminados, está se espalhando pelos Estados Unidos. Segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), agência do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, são 81 casos e quatro mortes em decorrência dessa infecção em 18 estados.

Esses dados representam o primeiro aumento no número de mortes desde março, quando o CDC havia reportado três óbitos relacionados ao surto. Além disso, foram confirmados mais treze casos recentemente, sendo que metade deles foram identificados a partir de espécimes coletados antes do recall dos colírios em fevereiro.

O CDC explica que a confirmação tardia desses casos se deve ao tempo necessário para os testes identificarem a cepa do surto, bem como ao relato retrospectivo de infecções.

Desde o início, a Food and Drug Administration (FDA) tem alertado os americanos para que evitem o uso de duas marcas de colírios suspeitas de estarem relacionadas a esse surto: Delsam Pharma e EzriCare.

Uma inspeção realizada pela FDA na fábrica responsável pela fabricação desses produtos, operada pela Global Pharma Healthcare Private Limited na Índia, revelou uma série de problemas, como equipamentos sujos e falta de proteções adequadas.

Testes feitos em frascos abertos de colírios EzriCare identificaram a mesma cepa de bactéria que está causando o surto em diversos estados. Além disso, a FDA descobriu que tubos fechados de outra pomada para os olhos da marca Delsam Pharma também estavam contaminados com bactérias.

Recentemente, o CDC informou que a contaminação bacteriana também foi encontrada em frascos fechados de EzriCare, segundo a FDA. No entanto, ainda não está claro qual bactéria foi encontrada nesses frascos fechados, pois o regulador não comentou sobre o assunto.

O surto não se limita ao uso dessas marcas específicas, pois a transmissão ocorre de pessoa para pessoa, principalmente através de superfícies contaminadas em hospitais e outros locais de assistência médica onde há pacientes vulneráveis. A rara cepa de bactéria responsável pelo surto é uma variante específica de Pseudomonas aeruginosa.

O Dr. Mayora Walters, do CDC, alerta que essas cepas são comumente encontradas em pacientes em ambientes de saúde e se espalham através de profissionais de saúde que podem ter negligenciado a higiene das mãos, equipamentos médicos contaminados ou até mesmo a contaminação do próprio ambiente de saúde.

Embora infecções por Pseudomonas aeruginosa sejam comuns, essa rara cepa resistente a medicamentos, nunca antes vista nos Estados Unidos, aliada à sua disseminação em diferentes instalações de saúde em vários estados, tornam a situação incomum e preocupante.

Os danos causados por esse surto já são alarmantes, com quatorze pessoas infectadas perdendo a visão e quatro pacientes tendo seus globos oculares removidos cirurgicamente. Essas infecções oculares são atípicas e jamais haviam sido registradas anteriormente.

O uso de lágrimas artificiais contaminadas representa um alto risco de infecção ocular, podendo levar à cegueira. Portanto, os pacientes que apresentam sinais e sintomas de infecção devem suspender imediatamente o uso do colírio e procurar atendimento oftalmológico. Medidas preventivas devem ser adotadas para evitar a propagação desse surto preocupante.

Nenhum caso relatado no Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) comunicou que nenhuma dessas empresas possui autorização ou é fabricante de colírios registrados na Anvisa. Além disso, não há registro de qualquer caso no Brasil.